quarta-feira, 4 de junho de 2014

Barcos de Compensado Naval, Fibra e Epoxy

Esta semana, outra discussão me fez com que, mais uma vez, me veja na obrigação de esclarecer sobre o tema dos barcos fabricados em composite de compensado naval/ fibra/epoxy no sentido de defender sua utilização na construção artesanal, seja ela amadora ou profissional.

Não sei porque os jargões influenciam tanto as pessoas desinformadas, fazendo com que estas não se informem sobre as vantagens e desvantagens do material de que querem para que seja feita sua embarcação. Ainda hoje o mantra “fibra é fibra” está amalgamado na cabeça de algumas pessoas de tal forma que ela nem sabe o que seja a osmose além do que apenas seu nome. Já para quem teve embarcações de fibra e a osmose se fez presente, este sim sabe bem o que é, sobretudo se descuidou de fazer a reparação no seu devido tempo. A vantagem dos barcos de fibra de vidro e resina poliéster é maior para o estaleiro que produz barcos em escala industrial do que qualquer outro material, não resta dúvida! A revolução causada na industria náutica da década de 1960 foi marcante pela introdução do poliéster e fibra de vidro, aumentando significativamente a produção e barateando os custos da mesma. Mas com o passar dos anos, o que se pensava sobre os barcos de “plástico” de que fossem eternos, mudou de rumo ao se saber que na prática, com o tempo, que a molécula da resina poliester é permeável a água. Muita dor de cabeça deu a seus proprietários quando se notava as famigeradas bolhas abaixo do gelcoat. Hoje, apesar da tecnologia aplicada a esse polímero revolucionário, seu uso nas cadeias de produção dos estaleiros de barcos de recreio no mundo, com a invenção de resinas poliéster isoftálicas e outras, conseguiu-se adiar o problema da osmose, mas não resolvê-lo de vez.
O mito da resina poliester foi tão grande a ponto de que muitos desavisados proprietários de barcos de madeira, revestiram suas embarcações com esta resina sobre um tecido de fibra de vidro. Ademais da resina poliester ser permeável a água, ela sobre a madeira, se descola rapidamente com o tempo, fazendo com que entre a laminação e a madeira criem-se bolsas de água, acelerando o processo de decomposição do casco. No caso de osmose em cascos de fibra de vidro, a água que se acumula entre as fibras do laminado se decompõe e migram por capilaridade a outros pontos do casco.

Assim como na indústria náutica a resina poliester veio causar uma revolução, ecoando através da mídia as vantagens de seu uso para a produção em larga escala, a resina epoxy veio a fazer o mesmo na construção artesanal em barcos de madeira, só que, a propagação de suas qualidades, muitíssimo superior a resina poliester, foi menos alardeada. O custo da resina epoxy é bem maior que a de poliester, por isso não são usadas em estaleiros de alta produção, por outro lado, a produção artesanal de barcos de madeira em suas mais variadas técnicas construtivas ganhou em qualidade anos luz em relação ao que se utilizava antes de sua descoberta. A resina epoxy, ademais, é completamente imune a água, garantindo assim uma vida muito longa às embarcações de madeira, de tal modo que se a manutenção periódica dispensada a qualquer barco construido com ela não for negligenciada, se pode dizer que seja indefinida.
Conheci barcos feitos de compensado naval e epoxy, e bem mantidos, com mais de trinta anos, sem que estivesse sido afetado pela umidade.

Tiki 21 bem mantido construído no inicio da década de 1980

Agora, a durabilidade de um barco, seja ele da madeira ou de fibra,  passa pela sua esmerada construção e pela sua manutenção, assim como a observação sempre minuciosa do casco para detectar pontos de desgaste da pintura, providenciando de imediato seu recobrimento.
Sempre tive em meus barcos um pouco de resina e de tinta para fazer o recobrimento no ato de alguma imperfeição, seja de um descascado, trincas ou arranhões que viessem a comprometer o isolamento da fibra ou da madeira.


Sempre recomendei aos que tem catamarã ou monocascos de quilha retrátil, sejam de fibra ou madeira, e que fiquem direto na água em poita ou pier, que quando se aproximarem de uma praia, ao menor roce com a areia do fundo, parem a embarcação e voltem um pouquinho, evitando sempre o roce do casco com a areia, mesmo que se tenha um perfil metálico sob a quilha. Deixando uma lâmina de áqua entre o fundo do casco e a areia, prolonga-se muitíssimo ter que fazer uma reparação que envolva ter que usar fibra e epoxy quando tiver que fazer a pintura periódica do fundo.

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