segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Casco de Bombordo quase pronto

Casco de bombordo do catamarã acaba de receber pintura externa e interna. Faltando agora fazer as tampas de gaiuta e compartimento de carga e instalar as vigias de policarbonato que já se encontram cortadas. Quase com o casco pronto...









terça-feira, 7 de março de 2017

Mais outra volta a Ilha de Santa Catarina

Depois de haver feito essa volta no inicio do ano com o Tiki 21 Mouna do Rodolfo Petersen, o amigo e velejador Marcelo me convidou para tripular seu Brasilia 23 desde Canasvieiras, no Norte da Ilha, contornando por mar aberto até o Ribeirão da Ilha na parte abrigada da baía sul. O convite foi aceito na hora, mesmo sabendo que seu barco não tinha motor e com previsão de ventos do quadrante sul fraco moderados durante todo a travessia. Diferente da volta anterior, com o Mouna, em que o vento nordeste bombou de forma muito vigorosa chegando em alguns momentos a mais de 30 nós nas rajadas.

Saímos no inicio da manhã de Canasvieiras com um vento bem fraco em direção ao mar aberto onde o vento diminuiu mais ainda quando atingimos a altura da praia da Lagoinha. Fotos feitas pelo Marcelo.



Sol escaldante e barco se movendo preguiçosamente numa aragem débil. Claro, o visual é muito bonito e compensa a falta do vento que entrou lá pelo meio dia. Esta foi a tônica marcada por Eolo durante todo o trajeto e que passou fatura mais tarde frustrando nosso objetivo de ancorar na Ilha do Campeche ainda no final do dia, fazendo com que nos víssemos parado ou nos arrastando a 1,5 nós por horas a fio, como se a natureza, caprichosa,  nos pusesse a prova a nossa paciência. Mas a jornada a bordo foi bastante legal devido ao bom entrosamento entre o comandante Marcelo e eu. Quando o vento entrava, este vinha com boa intensidade fazendo o veleiro ganhar vida e a seus tripulantes, alento. Assim, nessa toada fomos indo até a noite chegar.


Muitos barcos pesqueiros passaram por nós durante o dia e a noite



A noite foi chegando e ainda faltava umas 5 milhas para estar na altura da Ilha do Xavier quando o vento diminuiu mais ainda. Orçávamos quando não estávamos quase parados a uns 2 nós e calculamos que estaríamos no través da ilha do Xavier em duas horas e meia. Mas o vento chegou a parar quase que totalmente por muito tempo, só voltando a soprar de forma fraca quando a noite de lua nova se fez totalmente escura, possibilitando um tímido avanço a 3 nós. Aproveitamos as lufadas para alcançar a ilha do Xavier com idéia de jogar ferro em sua proximidade para nos abrigar do banzeiro de sueste e descansar.
Contudo, quando avaliávamos a possibilidade de jogar o ferro, a silhueta lúgubre de suas encostas de pedras escarpadas próximas nos fez mudar de idéia rapidinho, mesmo nos vendo em aguas calmas. A prudência nos avisava que se houvesse alguma mudança local do vento devido a uma possível chuva de verão poderia nos deixar em apuros desnecessários. Saímos do entorno da Ilha do Xavier enquanto havia vento para isso, com rumo a Ilha do Campeche. Quando o braço aproou no rumo desejado eu fui descansar um pouco, pois sabíamos que a noite ia ser muito longa devido a pouca intensidade do vento que, a noite, fazia parecer que o barco estivesse parado. Depois de quase uma hora e meia de descanso fui render o Marcelo no leme. Quando saí para fora, olhei para a silhueta da Ilha do Campeche, foi desalentador, parecia que pouquíssimo, ou nada havíamos avançado. O Marcelo me contou que o vento parara de vez por muito tempo e que naquele momento havia uma pequena brisa. Assumi o leme e o Marcelo foi descansar na cabine. O vento parou de vez e o barco ficou a matroca com a proa variando de direção, chegando a apontar para o lado oposto ao que queríamos. Não sei quanto tempo passou, mas aproveitei o momento para observar as luzes dos bairros ao longe. Estavamos bastante distante da costa da Ilha e ouvia o vuco vuco surdo da festa de carnaval que se mesclava com o ruído de motores de barcos atuneiros, o que me causava certo desconforto por não poder manobrar o veleiro caso algum deles estivesse em rota de colizão. A noite sem Lua e céu aberto permitia ver o esplendor do firmamento. Estar naquele momento naquele lugar foi muito bom para poder admirar e reflexionar sobre a vida. De repente o vento SE entrou novamente, desta vez de forma franca, o que me tirou da absorção de meus pensamentos e me possibilitou retomar o rumo a distante ilha do Campeche. Foi uma velejada maravilhosa, ainda mais depois de tanto tempo de ventos muito fracos intercalado com calmarias que pareciam não ter fim. Quando estava bem próximo da ilha do Campeche acordei o Marcelo que estava mais descansado para fazer a aproximação enquanto eu dava um cochilo de 20 minutos antes de jogarmos ferro na ilha as 3 horas da manhã, diante de sua paradisíaca praia e dormir profundamente.






Fui acordado pelo Marcelo de manhã que já havia dado um mergulho para se recompor e subimos a ancora e os panos para aproveitar o vento que estava soprando com alegria. Não podíamos perder tempo, pois agora nos tocava botar o barco em direção ao canal de entrada da baia sul, na ponta de Naufragados, local que nos causava expectativa pois estávamos sem motor e não podíamos ficar sem vento e ao sabor das correntes num lugar que requer muita atenção pelo perigo que oferece.


Marcelo e eu aproveitando o bom vento. Ilha e praia do Campeche ao fundo

Ilha das Aranhas


Praia do Campeche

Ilha do Campeche sendo deixado pela popa


 Entrada do canal da Barra da Lagoa. A esquerda da foto praia do Moçambique


 Praia da Lagoinha do Leste

Rumo Sul
 Antecedendo a entrada do Canal de Naufragados

 Começando a entrar no canal de Naufragados

Extremo sul da Ilha de Santa Catarina e a praia de naufragados ao fundo

Quando rumávamos para o sul em direção a canal dos Naufragados o vento rodou e se firmou de NE com boa intensidade, e imaginamos que se manteria assim depois de passado pelo canal, quando deveríamos rumar para o norte e que então teríamos que orçar da entrada da baía sul até Caiacanga onde o barco iria ficar apoitado. Mas, novamente o vento parou completamente quando entramos na baia sul e ficou horas em calmaria total. A agua parecia ser de uma piscina e avançávamos muito lentamente apenas ao sabor da maré enchente. Até que próximo da ponta de Caiacanga entrou um vento NE forte, fazendo o barco adernar e tendo que rizarmos a grande. Assim, conseguimos chegar até próximo de terra para descarregar o barco. Depois fomos até a casa do Marcelo levar as coisas e voltamos de moto  até onde estava o barco. O Marcelo iria levar o barco até a poita no extremo norte da baia de Caiacanga e eu o pegaria com sua moto para regressar a sua casa.
Havia um vento de NE fraco quando o Marcelo saiu, mas, minutos depois ele ficou tão fraco que o barco mal se arrastava pela superfície da água. Depois de muito tempo ele havia avançado muito pouco até que o vento parou de vez. O barco então derivava e com a força da corrente de maré  se enroscou nas boias de uma marisqueira. Eu em terra e sem poder me comunicar com o Marcelo, me parecia que o barco havia encalhado com a quilha tocando no fundo. Depois de algum tempo constatando que dali o barco não sairia, voltei a marina antes que ela fechasse (era final de tarde) e pedi ajuda para resgatar o Marcelo daquela situação, ao qual eu fui prontamente atendido. Com auxilio de uma lancha retiramos o barco de onde estava e o rebocamos até sua poita um pouco mais adiante. Foi a melhor forma, diante daquela situação, de terminarmos nosso périplo. De volta a marina, pegamos a moto e voltamos para casa para tomar uma cerveja gelada e um merecido banho. O plano era para o Marcelo me levar de moto até o norte da Ilha de onde saímos para que eu pudesse pegar minha moto que havia ficado lá e voltar para minha casa, mas, devido a hora, iria chegar muito tarde para pegar a marina onde deixei a moto aberta, então o Marcelo me levou para casa e peguei minha moto no dia seguinte, indo para Ponta das Canas de ônibus. Assim termina o nosso périplo. Sim que voltaria a fazer de novo uma volta a ilha, mas desta vez somente embarcaria num veleiro que tenha um motor auxiliar. Valeu, Marcelo!

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Outros trabalhos e a continuidade no Tiki 23

Antes de comentar sobre a retomada dos trabalhos de construção do Tiki 23, farei uma pequena sinopse do que foi este passado ano em termos de trabalho e o porque de não haver podido dar continuidade na construção do meu catamarã em 2016. Este blog apesar de ter sido criado exclusivamente para divulgação dos catamarãs polinésios do James Wharram, vai hoje tratar de trabalhos feitos em outros barcos durante o ano 2016. Resolvi fazer essa postagem porque recebi muitos e.mails de gente que acompanha o blog e que me perguntavam sobre o andamento da obra do tiki 23, e eu respondia que estava com outros trabalhos que eram em embarcações que não fazem parte da idéia original deste blog. Contudo, julguei que seria interessante comentar sobre esses outros trabalhos também.

Após a construção do Tiki 21 Mouna, fui trabalhar na Marina Mariana do amigo Rogério Coelho em Biguaçu. Lá havia muito trabalho para ser feito e acabei passando o restante do ano passado trabalhando com o Rogério. Em principio na reforma de dois veleiros em sua marina, um veleiro de 28 pés de compensado naval e um Cabo Horn 36 de fibra que o Rogério havia comprado para ele, ademais de outros trabalhos variados e de pintura em outros barcos que estiveram pela Marina Mariana. Farei um breve resumo do que foi feito em 2016 após a construção do Tiki 21 Mouna.

O meu trabalho no veleiro de '28 era de laminação e de pintura interna. Rogério havia recém reformado, ou melhor, ressucitado este barco, por estarem suas partes estruturais de proa, verdugo interno, espelho de popa e skeg muito deterioradas. Quando vi chegar este veleiro eu me encantei por sua forma de casco que lembrava de outros dois pequenos veleiros que fizeram muito sucesso na França nas décadas de 1970/'80 pelas suas excelentes qualidades nauticas, o pequeno e muito popular Muscadet de 20 pés, e o Cabernet de '23, ambos multichines e projetados por Philippe Harlé.

muscadet+drawing.jpg (649×461)


  

Abaixo o veleiro modelo Sauvignon '28 sendo colocado no galpão para a reforma.

Quando subi no barco para olha-lo mais atentamente. Já em casa, busquei pela internet pelo nome do projetista os trabalhos por ele realizado, não deu outra, a pesquisa por imagem confirmou o que eu havia imaginado, um barco de construção amadora projetado por Philippe Harlé. Muitos projetistas conhecidos mundialmente deixam uma característica marcante de seus trabalhos, como se fosse uma assinatura, Harlé é um deles.

Um bom projeto sempre dá lugar a um bom veleiro e este não foi exceção. O curioso é que este barco, construído em 1985, com o casco em compensado naval e convés em fibra de vidro, nunca teve uma laminação de fibra de vidro sobre o casco, comum nos barcos de compensado naval, e até necessário para sua proteção. Se identifica que o compensado comercializado naquele tempo era de muito boa qualidade.


Quilha sendo retirada, na verdade o patilhão do Sauvignon '28, pois havia uma bolina com desenho de meia lua em seu interior que foi substituída pelo Rogerio, por outra nova, devido a corrosão que apresentava a antiga.

O veleiro foi quase que refeito novamente. Abaixo o resultado final da reforma







Após o trabalho no veleiro multichine, foi a hora de trabalhar com o Rogério no seu flamante cabo Horn 36 Utopia.

    O famoso veleiro Utopia, com histórico de volta ao mundo, agora de propriedade do Rogério que o reformou com muitíssimo capricho, deixando-o "zerado" interna e externamente.




O Utopia ao lado do clássico Ayty que também pertenceu ao Rogério por muito tempo e vendido recentemente.  O trabalho, como no Sauvignon 28, foi hercúleo, se bem que o Utopia estava inteiro, mas o trabalho de lixação e pintura interna e externa foram muito grandes, mas o resultado também foi fenomenal. 



















Abaixo, mais fotos do lindo clássico Ayty



O Ayty, clássico de 33 pés foi vendido no inicio do ano passado indo para Imbituba de onde retornou depois de meses para receber novas gaiútas, braçolas e roda de leme totalmente novas e de um feitio artístico a altura que esse clássico merece. O barco foi puxado para seco. Refiz sua pintura de fundo, costado e convés, antes dele zarpar para Búzios onde foi participar de mais uma regata de clássicos que acontece regularmente naquele município carioca.













    Rogério em frente a obra de arte feita pelo mestre Paulo e por ele faz já muitos anos e que agora está nas mãos do capitão da Marinha Bernardo T. Martins.

    Ayty rumo a Búzios (foto de Bernardo T. Martins)


Outros trabalhos surgiram na sequencia na marina Mariana, em Biguaçu, conhecida como a marina do Rogério. No final do ano passado a prefeitura do município de Biguaçu adquiriu uma draga para deixar o canal de entrada para o rio Biguaçu com acesso irrestrito, que até então havia muita dificuldade para demandar essa barra sobretudo para veleiros que tem mais calado. Sendo assim, imagino que o interesse de proprietários de embarcações aumente muito por ser o rio Biguaçu um excelente abrigo para ventos de todos os quadrantes e contar com infraestrutura náutica bastante desenvolvida.



A retomada da obra do Tiki 23

O casco de BE do Tiki  faz aproximadamente dois que ficou pronto assim como de duas de suas três travessas de união entre os cascos. Quando comecei a fazer o casco de BB surgiu uma encomenda de um Tiki 21. Para poder livrar o espaço para sua construção tive que parar com a obra do 23 que estava com o casco emborcado e com a massa de acabamento por lixar. Terminei a lixação e dei uma demão de primer epoxy, assim, ele foi para fora, ficando emborcado ao lado do casco gêmeo.



No inicio deste ano retomei os trabalhos com o Tiki 23 depois de quase dois anos com ele parado. Quando fui examinar o casco para iniciar os trabalhos eu tive uma desagradável surpresa, notei que as anteparas e uma pequena parte do casco na proa sofreram infiltrações. Como foi possível isso?
Primeiramente por uma negligência minha ao não selar o casco completamente. Explico, o interior estava todo impregnado de epóxi. As anteparas estavam também impregnadas até a altura do verdugo. A parte das anteparas que compõe a cabine  e as bordas do compensado do casco na altura do verdugo onde há o corte de fábrica também não foram impregnadas, pois pensei que com o casco virado de boca para baixo o verdugo externo cria uma saliência que conduz a água para fora, a parte de baixo do verdugo ainda fazia um ângulo que ao parecer impossibilitava que a agua entrasse em contato com aquele compensado que não foi impregnado. Engano meu, e ademais, eu folguei em cima dessa possibilidade e não inspecionei o casco com a frequência requerida pois estava envolvido em outros trabalhos que me demandavam muito tempo, energia e disposição. Resultado, o compensado absorveu água por capilaridade por muito tempo. Não havendo como secar o miolo do compensado, pois a cola fenólica impedia a umidade de vir para a superfície para sua evaporação nos dias quentes e de sol, ficando apenas as pequenas superfícies de corte para sua evaporação, o que era insuficiente. Resumo da ópera: tive trabalho em dobro para refazer as três anteparas da cabine e substituir dois pedaços de compensado na proa próximos ao verdugo que sofreram infiltrações e também se deterioraram.

Depois disso, segui com o trabalho de fazer os paineiros, que nos tikis eles tem também uma função estrutural, depois dei um primer e uma primeira demão de tinta no interior antes de começar a fechar o convés.








Fechamento do convés



Na sequência, foi a vez da cabine







Para depois começar a laminação do convés


















 Também já fiz os tacos de apoio das travessas e os fuzis de ancoragem dos estaiamentos para serem fixados ao casco.






Falta agora laminar a cabine para terminar o processo de laminação do casco de BB, e assim que o trabalho for se desenvolvendo irei dando sequencia nas postagens, aguardem...