terça-feira, 11 de março de 2014

Agradecimento

Hoje, véspera de meu aniversário, quero agradecer a todos os visitantes e seguidores do blog pelos 60 mil acessos desde sua criação em 2010. Não é muito se comparado a outros blogs náuticos, mas em se tratando de catamarans polinésios, para mim é muito bom o resultado. Sinal de que algo está mudando na comunidade náutica, de que o olhar mais profundo pode perceber nestas embarcações soluções viáveis para seus sonhos se tornarem realidade, sem abrir mão da segurança e qualidade de navegação. Obrigado a todos!

quarta-feira, 5 de março de 2014

Pocket Cruise

Há muito que venho dando asas a imaginação em construir um pocket cruise econômico. A idéia é de um barco manejável como monotipo, e capaz de navegar em mar aberto com mais segurança. Pesquisei muitos projetos na internet, mas, quando via os barquinhos navegando no youtube em mar mexido, eu me mareava só de vê-los, e com um desempenho inferior a um monotipo devido entre outras características ao peso de lastro. A cifra que cheguei a pôr como limite de comprimento seria de no máximo 5m ou um pouquinho mais, não ultrapassando os 5,5m, para que o barco ficasse leve e manejável. Esses pensamentos ganharam maior força neste feriado de carnaval em que, por convite de um amigo, fui velejar um Daysailer. Veleirinho muito bom de mar, e que me fez lembrar de um que tive faz mais de 20 anos. Bolina e leme pivotantes é um fator de segurança no caso de choque com o fundo. Todavia, para melhorar a segurança, um "zepelin" no tope do mastro é preciso, pois por sua própria concepção o barco pode virar. Fiquei pensando junto a meu amigo o que mais seria preciso para capacitar o daysailer num pocket cruise, sem mexer em mais nada, tipo aumento de cabine, por exemplo. A primeira coisa que nos veio a cabeça seria lastrá-lo para deixa-lo mais estável. O barco pesa de projeto 250 kg, pensamos que uns 50 ou 60 kg de lastro ao redor da caixa de bolina, viria a melhorar em muito a estabilidade, outra opção seria adicionar chumbo no extremo inferior da bolina, uns 20 ou 25 kg, o que elevaria o peso do barco entre 300/310 kg na primeira opção ou a 270/275kg na segunda. E assim, começamos a divagar...
De volta para casa voltei a pensar e percebi que não havia entre os micro cruisers um catamaran, ao menos eu não ví. Logo me veio a cabeça o Hitia 17, que tem aproximadamente o mesmo comprimento do Daysailer e seria uma boa plataforma para desenvolver um pocket cruise catamaran. Ele pesa 135kg, ou seja, 115kg a menos que o daysailer original, sem lastro(!!!), não precisa de lastro, é muito estável, veloz, enfim, reúne umas características bastante interessantes. Com modificações para aumentar a borda livre, se pode, devido a característica do casco em V que cria uma seção triangular, aumentar o espaço interno significativamente para dotá-lo de uma cabine para se ter em cada casco um lugar seco e aconchegante para dormir e comandar o barco abrigado da intempérie, proporcionando assim o conforto mínimo necessário para uma travessia com mal tempo. A adoção de uma cabine de lona bem estudada, viria a complementar o conforto quando o barco estivesse ancorado. Vale lembrar que o espaço na plataforma entre os cascos é bastante generoso, podendo até armar uma barraca iglu para duas pessoas se for o caso. Com essas modificações, o casco não chegaria aos 200 kg, acredito que no máximo 180 kg...Já tenho aí cifras insofismáveis para poder trabalhar com uma grande chance de êxito.
Alguns poderão pensar que um catamaran polinésio entre 17 e 18 pés capacitado tecnicamente para navegar em alto mar para cruzeiros costeiros não se faz necessário pois já existe o Tiki 21. É verdade, só que o Tiki 21 pesa 360 kg, ou seja, o "dobro" do peso, o dobro do material, o dobro do custo. Estes argumentos incentivam minhas divagações, sendo assim, seguirei nelas...


sábado, 1 de março de 2014

Laminação do casco de BE

Depois de preparar o casco para laminação, cuja sequencia foi a seguinte depois do casco virado: Lixação geral com lixa 150 para retirar escorrimentos de epóxi, limpeza, aplicação de cupinicida, aplicação de massa epóxi com sílica coloidal e microesfera de vidro, nivelando as junções de casco/quilha e de casco com a roda de proa e de popa, fechamento de todos os furos onde estavam os parafusos usados na colagem e que foram retirados. Depois de curada a massa no ponto para poder ser lixada (48h.) faz-se a lixação com mais esmero, lixando a massa e modelando também a quilha, skeg, proa e popa. Retira-se todo o pó do casco e aí sim, depois de uma minuciosa vistoria do mesmo, o casco está pronto para ser laminado.

O epóxi utilizado é fluido e de cura lenta, dá para trabalhar com calma e tranquilidade, sem se preocupar com a catalização prematura da mescla durante o trabalho. Foram utilizados 4 kg de resina epóxi para laminar o casco com tecido de 330g/m2. A razão de ser usado um tecido mais grosso foi econômica. Poderia ser usado o 220 ou mesmo o 180g/m2. Com o 330g/m2 se gasta mais epóxi, todavia, eu já o tinha comprado faz algum tempo.

O tecido já o comprei do tamanho do comprimento do casco, tendo apenas que fazer alguns ajustes, ele já estava assentado no casco e preso a alguns grampos que eram sido removidos de acordo como avançava a laminação. Estava só no momento da laminação, então não fiz fotos, contudo a maneira de laminar seguiu os moldes de laminação do Tiki 26 que está postado em fotos neste mesmo blog na postagem "Construção de um Tiki 26"


A preparação e aplicação da massa


Massa aplicada

 Pronto para o lixamento


 Casco já laminado. Se nota o quanto o tecido passou de um lado para outro pela quilha e até 35cm em ambos lados (overlaping).

Com o tecido 330g/m2 o casco ganhou alguns quilinhos extra, mas por outro lado ficou muito forte e rígido. Agora, vem o duro, lixar todo ele para criar uma superfície de ancoragem extra para a massa de epóxi/microesfera. Depois, muita lixa ainda antes da aplicação do primer EPA antes do acabamento em PU.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Mudança de estratégia

Devido ao pouco espaço para trabalhar em dois cascos de uma vez, desmontei o casco de BB para assim ter mais liberdade de movimento. Terminarei um e começarei o outro, quando o primeiro puder ser retirado do espaço de construção.
Nesses dias de calor insuportável, trabalhei muito pouco no catamarã, pois estou durante a semana trabalhando no interior de um monocasco Kavelier de 28 pés que está num galpão com cobertura de telha de amianto, ou seja, num forno, o que tem me desgastado muito fisicamente. Esta semana comecei a fazer a travessa do mastro do catamarã na garagem, que é o lugar menos quente de casa.



Fazendo todos os ajustes e simulando a montagem antes de colar e aparafusar as peças.

Início das colagens



Primeiro a aplicação do adesivo epoxy sem cargas.

Depois a aplicação com sílica e microesfera. Dessa maneira se garante uma colagem perfeita e sem problemas.


 A guia de metal é fundamental para manter o alinhamento das partes a serem coladas. Ela é retirada logo depois de serem aparafusadas, sem o risco de saírem do lugar.


 Perfil da travessa do mastro pronta, faltando agora fazer os reforços verticais.
Detalhe da dos lugares onde foram postos parafusos inox, depois de fechado e lixado. Toda a travessa recebeu um veneno para cupim, como non cascos, antes de serem impregnados de epoxy.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Montagem do casco de BB

Finalmente, neste domingo, primeiro dia de dezembro, abri o casco de BB do polycat 23. A meteo não estava para mais trabalhos, como começar as colagens das anteparas, mas me dou por satisfeito em ver o cata tomando forma, e esta etapa de hoje foi muito relevante desde o ponto de vista anímico. Segue as fotos para os amigos que acompanham a construção e que queriam, como eu,  ver a forma do que será em breve o outro casco do catamarã.
 




Ontem cortei os paineiros do casco de BE. Ainda não decidi em qual casco vai ficar a pratelerira basculante onde ficará o fogareiro, por isso ainda não cortei as aberturas dos paineiros. Também cortei (e colei) a emenda do sarrafo da quilha do casco de BB. Na verdade ele estava pronto, mas na hora da montagem ele se partiu, devido que a emenda anterior ficava na seção mais curva da popa, e como eu emendei duas peças de densidades diferentes, e a largura da quilha é 1cm mais larga nos tikis, a menos densa não suportou a tensão da flexão da mais densa e se partiu estilhaçando as fibras. Agora, ambos segmentos são da mesma densidade e a emenda ficou na parte central do casco, onde a curvatura é muito pouca. Se pode ver o sarrafo sendo colado na parte esquerda da foto. Espero que não haja mais este problema que atrasou em mais de uma semana a abertura do casco de BB. Se tudo correr bem, ainda neste fim de semana já terei o outro casco aberto.



sábado, 28 de setembro de 2013

Mais um pouquinho...

Vamos ver se até o final desta semana que entra, de 06 a 12 de outubro eu tenha o outro casco aberto e pronto para ser colado (quilhas e anteparas). Neste fim de semana comecei a colar as bordas nos costados.


                                  -----------------------------------------                      

Seguem os trabalhos no catamaram, porém, com tímidos avanços, dado primeiramente ao pouco tempo disponível para manter um ritmo franco, e quando há um tempo para dar um avanço mais significativo, a meteorologia é adversa. Paciência é Poder, reza o ditado e por ele vamos. O entendimento dos problemas nos ajuda a termos essa paciência. Então, resumindo, foi cortado e colado os reforços onde se vão apoiar os paineiros e os reforços abaixo deles, depois, todo o interior foi impregnado de resina epoxy.





sábado, 8 de junho de 2013

Catamaran Polycat 23

Depois de velejar o tiki 21, pensei que seria melhor adaptá-lo as minhas necessidades de maior espaço, pois do 21 para o 26 o salto é muito grande. Assim, um tamanho intermediário viria muito bem para preencher esta lacuna (que tambem existe entre o 26' e o 30'). Achei 23 pés uma boa medida para este barco intermediário. O incremento de peso e volume não seria muito grande, fazendo com que um catamaran com estas dimensões seja ainda leve e manejável, características em que no 21' se dá muito melhor se comparado com seu irmão maior.
O fato de trabalhar a muitos anos com construção e reforma de veleiros e haver velejado muito o tiki 26 e construido dois deles, me deixaram confiante em construir um catamaram estilo polinésio de 23 pés tendo o 21' como referencia.

Passei a estudar a fundo o tiki 21 de um conhecido. Munido de uma trena, papel e lápis, comecei a tirar todas as medidas possíveis para avaliar as adaptações pertinentes. Depois de muito contorcionismo para medir, redesenhei todas as anteparas, costados e cabines, mantendo o disign e filosofia Wharram, porque eu acho um desenho lindo e harmonioso para o meio ao qual vai ser usado, ademais de que não dá para reinventar a roda, mas dá para aumentar um pouquinho o seu diâmetro.
Ao olhar mais acostumado aos pequenos Wharran, se percebe um aumento no volume total. Se nota que não é um tiki 21', nem o 26'.


Este foi o Tiki 21 que serviu de inspiração para o 23'. O fato dele estar desmontado para ser pintado, facilitou muito para as tomadas de medidas e observações de pontos a serem modificados.

Abaixo segue as fotos da montagem do casco de BE do 23'





O casco passou de 6,40m (21,3 pés) para 6,86m que equivalem a 22,8 pés. O que para leigos parece pouco, esta diferença de "apenas" 46cm representa tanto que se pode dizer que por tamanho e volume é literalmente outro barco. Os acréscimos nas medidas de pontal, contorno e borda livre são significativos, assim como o espaço interno nas cabines. Claro, também haverá, quando o catamaran estiver concluído, um acréscimo no peso total do conjunto, mas estamos tratando de um barco maior. Este aumento de peso, contudo, não vai comprometer os melhores argumentos de um pocket cruise, que é sua manejabilidade, tanto dentro quanto fora da água. O mastro deste catamaram de 23' poderá ser subido ou baixado facilmente por apenas uma pessoa, o que no Tiki 26 já não é possível.

 

O skeg só pôde ser desenhado e cortado depois do costado pronto.
O que determina a profundidade do skeg é a parte mais profunda do casco.



Com a altura adicional  do costado e da cabine, fará com que a altura da plataforma entre os cascos fique mais distante da água, o que permitirá  ter assentos laterais ao longo das cabines que sejam mais altos de onde ficarão os pés, quando sentado, e também de um pequeno respaldo para as costas. Isto proporcionará um conforto muito maior que no Tiki 21, que tem como cockpit apenas uma plataforma plana. A este importante "up grade" no conforto se adiciona a possibilidade de que se tenha também  uma navegação mais seca em mar mexido.




Parece pouco se nos atermos apenas aos números, contudo,  12cm a mais na largura interna representa um acréscimo de espaço bastante considerável.


Confesso que sempre tive uma atração pelos micro cruisers, mas não tenho espirito de faquir. Um espaço para sentar comodamente e deitar numa cama que proporcione conforto reparador, já é para mim o suficiente para curtir o mar por vários dias. Lembro que o barco que mais curti,  fazendo camping costeiros nas praias, foi um Snipe (Lineburguer) que tive faz mais de 30 anos. Com ele fiz várias incursões em mar aberto. As vezes eu me encontrava bastante distante de terra e olhava para meu barco, valente, galgando as ondas e pensava em como ele me podia levar longe, navegava por vezes, horas a fio. Eu havia feito um bulbo de chumbo que era aparafusado no extremo da bolina, que proporcionava ótima escora, não me cansando muito no contravento. Por não haver uma pequena cabine para me enfiar por baixo, única preocupação era encontrar uma praia isolada e tranquila para armar a barraca. Pensei que um barco semelhante com uma pequena cabine facilitaria muito a vida nessas velejadas. Nessa época (1982/83) lembro de haver visto pela primeira vez um pequeno Wharram disign, que penso hoje que era o tiki 21, ancorado em frente ao bar do saudoso Didi, em Paraty Mirim. Este barco estava com o  medalhista olímpico (Moscou 1980) da classe Tornado, Lars Bjokstrom e sua família, que tinham uma casa no Saco de Mamanguá. Infelizmente naquela época minha visão estava voltada para os monocascos, seduzido pelas fotos e reportagens de revistas. Cego que estava no meu "monoconceito", perdi a oportunidade de ser apresentado a um projeto premiado do Wharram, e da mão de um experientíssimo velejador de catamaram. Foi o preço pago pela minha ignorância.


O casco já alinhado para começar as colagens que o fará ficar um monobloco forte, muito resistente e...leve!



Foi aplicado em todo o interior do casco um cupinicida solúvel em água para uma proteção adicional, uma vez que todo o interior receberá duas camadas de resina epóxi.